Rodada 1 · Diálogo
[EU]
"Todos os dias a mesma coisa”, pensei.
— Você é muito teimosa!
— Até parece que você lê mentes.
— É cansativo te ouvir falando desses vários cenários inexistentes.
"Ok."
Olhei ao redor. Silêncio.
Então terminei de escovar os dentes.
Rodada 2 · Fotografia
[DISPARO.]
Estava eu debaixo de uma árvore, encarando sua copa.
Mas não via nada,
era noite, não parecia ter lua,
tudo escuro,
eu estava desligada.
Até que, de repente:
um clique, um estalo,
disparo
Rodada 3 · Bolso
[Futuro]
Caminhava no sol escaldante até aquela loteria distante, tudo pra depositar o dinheiro que recebeu da venda do bendito livro artesanal.
Estava tão quente que se perdeu.
Seu bolso rasgou, a moeda derreteu.
Espero que amanhã não perca o dinheiro por conta de um bolso-calor.
Rodada 4 · Banda
Acordei sem vontade. Só de pensar em ir pro Centro e nesse calor.
— 30min pra ficar ok, 1h de viagem. Eu consigo — pensei.
— CAFÉ! — a outra voz gritou.
Ajustei a bandana no cabelo, encarando aquele reflexo emburrado e pálido? Me estiquei pra pegar o BandAid, e uma banda tocava MUITO alto.
Acordei.
Rodada 5 · Ficção
[Lago]
Joana amava sua aldeia, era pequena e calorosa como ela.
Todos ali se conheciam, mas por algum motivo ninguém enxergava aquele criptídeo ganancioso que, todo santo dia, tentava roubar seu barco.
Rodada 6 · Cobre
[Lençol]
Dona foi deitar em seu quarto friozinho pra ver seu filme favorito: Um terror psicológico sobre sonhos.
Ela dizia ser aconchegante.
Tão aconchegante quanto seu cobre-leito.
Rodada 7 · Melancia
[Sede]
Antônio sentia uma sede ABSURDA, como quem atravessa as dunas de Floripa bem no meio dia.
Em seu escritório, o bebedouro estava vazio.
De olhos fechados, pensou:
— MELANCIA!!
Rodada 8 · Ano
[Futuro do pretérito]
Mada comprou uma agenda na papelaria da esquina, que sempre achou curiosa.
A vendedora garantiu que aquela agenda era do ano seguinte, mas por algum motivo... Mada só conseguia ler 1995 na capa.
Ao abrir a primeira página:
– Mada? É você?
A letra era dela.
Rodada 9 · Toa
[A Corda]
Meu corpo tremia de medo com aquele balanço. Eu só queria chegar no cais.
– Pessoal, vai demorar pra "estacionar"?
– Nadinha, Paula. A toa já tá puxando.
– À toa?
– Não, não, Paulinha. – riu.
Rodada 10 · Umbigo
[ORNAMENTO EXIBIDO]
– É um marco anatômico, na minha opinião, meu caro.
– Pra mim é só uma depressão na pele.
– O QUÊ? QUEM OUSA DIZER ISSO? – Vociferou.
Ninguém responde.
– Ah, mas claro... Tinha que ser você, a nova jóia do pedaço.
Rodada 11 · Moeda
[ARCO-ÍRIS]
Barulho de metal no chão da sala.
— Haroldo, você está mexendo nas minhas moedas?
Silêncio.
– Haroldo?
Quando a mãe entra na sala... o leprechaun foge pela janela, deixando algumas moedas pra trás.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante o 11º Campeonato de Microcontos.