Rodada 1 · Diálogo
DIÁLOGO INTROSPECTIVO
O silêncio fala. Nem sempre quem cala, consente.
Campeonato de microcontos · Autores
24 microcontos no 11º campeonato, com todas as 11 palavras.
Rodada 1 · Diálogo
O silêncio fala. Nem sempre quem cala, consente.
Rodada 1 · Diálogo
– Você sabe dizer até onde essa estrada vai?
– Não sei dizer como vim parar aqui, quem dirá para onde a estrada vai...
Rodada 2 · Fotografia
Sem meus óculos, não há registro fotográfico.
Rodada 2 · Fotografia
Os nossos olhos sorriram, entre flashes apaixonados.
Rodada 2 · Fotografia
A lembrança é uma fotografia que o tempo não apaga nem desfaz.
Rodada 3 · Bolso
Perto da morte, Afonso refletiu acerca da sua passagem na terra. Em cinquenta e poucos anos, encheu os bolsos de cédulas, mas nenhuma pôde comprar sua saúde de volta.
Rodada 3 · Bolso
Em sua primeira partida profissional, deu um show de talento. Entre uma firula e outra, colocou os zagueiros no bolso.
Rodada 3 · Bolso
Encheu a cara. Esvaziou o bolso.
Rodada 4 · Banda
Procura-se guitarrista para montar uma banda.
Rodada 4 · Banda
Passou anos à procura da sua banda de laranja. Quando encontrou, casou-se.
Rodada 5 · Ficção
O pequeno Peter sabia que a vida real não era como as HQs que lia, mas, para ele, o seu pai era o super-homem, e a sua mãe, a mulher maravilha.
Rodada 5 · Ficção
Antes de morrer, o romancista sussurrou: – Não levarei meus livros. As minhas narrativas ficarão para a posteridade.
Rodada 6 · Cobre
Ao passar pela fonte dos desejos, a pequena Melissa pôs a mão no bolso, retirou uma moedinha de cobre e jogou na fonte. No dia seguinte, os seus pais fizeram as pazes.
Rodada 6 · Cobre
– Vizinha, você ficou sabendo do Agnaldo?
– Que Agnaldo? O filho de Sandrinha?
– Esse mesmo.
– O que ele aprontou dessa vez?
– Inventou de furtar de novo e se acidentou. Quase morre por uns fios de cobre, coitado!
– Não morreu por um fio.
Rodada 7 · Melancia
– Eita, pai. Engoli uma semente de melancia!
– Pois, agora, você se prepare, pois vai nascer um pé de melancia dentro do seu estômago.
(Risos)
Rodada 8 · Ano
Por muitos anos, dedicou a sua vida ao trabalho. Vendeu seu tempo, mão de obra e intelecto. Quando decidiu viver, morreu.
Rodada 8 · Ano
Todas as noites, uma versão de Clarice morria. No dia seguinte, uma outra surgia. Ao longo do ano, entre metamorfoses, um par de asas nasceu.
Rodada 8 · Ano
Enquanto o capitalismo rejuvenesce a cada ano, o proletário envelhece em questão de meses.
Rodada 9 · Toa
Antes de conhecer o amor, vivia triste pelos cantos. Agora, vive rindo à toa, com um sorriso estampado na face de canto a canto.
Rodada 9 · Toa
Abriu os braços, respirou fundo, sentiu o vento tocar sua tez e a água molhar o seu corpo. Longe das obrigações e da pressão cotidiana, nadou de costas.
Rodada 10 · Umbigo
Nunca foi bom de relacionamento, sempre olhou para o próprio umbigo.
Rodada 10 · Umbigo
Tão linda... mas tinha um Rei na barriga.
Rodada 11 · Moeda
Antonieta me amou durante seis meses e três milhões de moedas.
Rodada 11 · Moeda
Trabalhou a vida toda para conquistar tudo que tinha direito. Morreu sem levar nada.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante o 11º Campeonato de Microcontos.
Escolha uma palavra e leia um por um, até o último.