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3 Serpentes

Campeonato de microcontos · Autores

@lord.lucas.escritor

30 microcontos no 11º campeonato, com todas as 11 palavras.

Rodada 1 · Diálogo

A Revelação

Ele sempre soube que não estávamos sozinhos. Observava as estrelas, escutava os sussurros até decifrar as mensagens. Quando enfim responderam, seus novos amigos o alertaram:
— Se não se unirem, a Terra perecerá. Será difícil, doloroso… mas não impossível.

Rodada 1 · Diálogo

A Torre

Os diálogos entre eles fluíam quase sobrenaturalmente; tamanha era a conexão. Compreendiam diversas línguas ao mesmo tempo, compartilhavam saberes e dons. Mais que amigos, eram irmãos. Unidos, eram um só corpo, uma só mente. Eles eram a Torre.

Rodada 1 · Diálogo

O Arauto

A missão mais importante: a vida de todos dependia dele. Recebeu a honra, e o fardo, de erguer pontes, remover obstáculos, espalhar a mensagem. Sacrificou a própria vida por altruísmo. Eles precisavam se unir, se entender, se conectar. As estrelas os aguardam.

Rodada 2 · Fotografia

A Fotografia

Ela pegou o envelope na caixa de correio e o abriu. Havia apenas uma foto, dela, no trabalho. Ao virá-la, gelou. Nas costas, uma frase escrita à mão:
“Você será minha. Só minha. De mais ninguém.”

Rodada 2 · Fotografia

O Fotógrafo

Dizem as lendas que, se você é uma boa pessoa, não há o que temer. Mas, se não é… ele o caça. Fareja seus crimes, traições e maldades, e os pune. No momento final, ergue sua velha Polaroid e aprisiona sua alma na fotografia, para toda a eternidade.

Rodada 2 · Fotografia

Evidências

Naquela noite, entre as nuvens, ele a viu, grande, magnífica, brilhando em forma alongada. Correu à mesinha, pegou a câmera e voltou à varanda. Mãos trêmulas, fez várias fotos. “Ficaram ótimas”, pensou. No PC, ao conectar para enviar… elas haviam sumido.

Rodada 3 · Bolso

Memento Mori

Tiros ecoavam pelas ruínas. Os gritos das criaturas se aproximavam. Do bolso, puxou a última bala; mãos trêmulas, recarregou. Estava cercado. Levou o revólver à cabeça. As últimas lembranças da família vieram com as lágrimas. O estampido seco rasgou o silêncio.

Rodada 3 · Bolso

Bolso Infinito

As crianças se encantavam com suas mágicas; olhos brilhavam, sorrisos se abriam. Trajado com elegância, o mágico tirava quase tudo dos bolsos.
O lorde empalideceu ao vê-lo surgir em sua suíte. Dos bolsos, ele sacou as adagas.
Os olhos do pecador brilharam, agora, de pavor.

Rodada 3 · Bolso

O Segredo

Howard caminhava pelo aeroporto lotado. Ao esbarrar numa jovem, o homem ao lado pediu desculpas e a puxou pelo braço com força. Segundos depois, algo pesou em seu bolso. Um guardanapo.
Desdobrou-o. O coração disparou.
Em batom vermelho, tremido: “Socorro.”

Rodada 4 · Banda

A Inspiração

As magníficas bandas lhe davam força, poder e coragem. Seus ouvidos captavam; o coração decifrava e ardia. Desde criança, sabia quem era, e o que devia fazer. O guardião. O protetor da Terra. Embalado pelas músicas, lutaria com toda a alma e sangue.

Rodada 4 · Banda

Os Algozes

Devotaram suas vidas à causa, por altruísmo e justiça. Eram os braços, esquerdo e direito. Ascenderam a Yggdrasil e dividiram seu fruto: uma dádiva para cada um. Imortais, tornaram-se lordes do julgamento, juízes da punição, assassinos do mal.

Rodada 4 · Banda

O Artefato

Era apenas uma ferramenta, como uma faca: podia salvar ou destruir. A guerra não explodiu; foi massacre. Família, amigos, cidade, tudo seria dizimado. Mas o Arquimago empunhou o artefato, a banda do coração de um antigo demônio, e bradou: — Julgamento Infernal!

Rodada 5 · Ficção

O Vislumbre

As guerras terminaram há séculos. Doenças foram erradicadas por nanorrobôs. A humanidade, biologicamente imortal, espalhou-se pelas estrelas.
Ele desperta eufórico, até que a tristeza o invade e as lágrimas caem.
Era apenas um sonho. Impossível naquela realidade cruel.

Rodada 5 · Ficção

Teatro das Sombras

Poder, manipulação, controle, dissimulação, mentiras… suas armas são muitas. Poucos governam os muitos.
A verdade, porém, quebra correntes e ilumina mentes.
Eles trilham as sombras para expurgar o mal, com canetas e adagas, rasgam a ilusão nefasta.

Rodada 5 · Ficção

O Despertar

Depois daquele esbarrão, algo mudou dentro dela. Sentia-se estranha: às vezes um déjà-vu; outras, um terror sutil, como se algo a observasse.
A cada dia, piorava. Já não distinguia ilusão da realidade.
Então a revelação ecoou em sua mente:
— Não é o seu fim. É o meu despertar.

Rodada 6 · Cobre

O Aventureiro

O cavaleiro imponente entrou na guilda. Todos o admiravam, armadura de aço reluzente, detalhes em cobre, espada larga à cintura. Cumprimentou a recepcionista e pousou um saco sobre o balcão. Ao abri-lo, revelou a cabeça grotesca de um vampiro.
— Está feito.

Rodada 6 · Cobre

A Síndrome do Cobre

Dizem que veio das estrelas, mas ninguém sabe sua origem. Extremamente contagiosa, espalha-se como gripe. Começa como um resfriado comum, depois, a pele endurece, avermelha, cobre-se de crostas metálicas. No fim, o corpo trava, torna-se estátua, consciente até morrer.

Rodada 6 · Cobre

O Ritual

O pai a cobre com a manta de gatinho, como sempre. Beija-lhe a testa e deseja boa noite.
— Papai, vê se tem monstro?
Ele olha o guarda-roupa e debaixo da cama.
— Não há nenhum. O cobertor te protege.
Sonolenta, ela fecha os olhos. Então, um sussurro:
— Ele já a cobriu.

Rodada 7 · Melancia

A Plantação

Ela se estendia por quilômetros. Suas trepadeiras engoliam os campos. Seus frutos eram melancias imensas, de casca verde-escura listrada e polpa vermelha, suculenta. Meses se passaram, e ela dominou tudo. O planeta azul oferecia o melhor adubo: humano.

Rodada 7 · Melancia

Ação e Reação

A plantação agonizava: caules retorcidos, folhas amareladas e secas. O homem puxou uma melancia e, com o facão, partiu-a ao meio. Estava podre. A terra devolvia o que recebera. O rosto entristeceu. Escorreram lágrimas. Sob o sol escaldante, murmurou ao filho:
— Estamos colhendo.

Rodada 7 · Melancia

Devoradores

Milhões surgiram nas praias. Ninguém sabia o que eram nem de onde vinham. Tinham o tamanho de uma melancia grande, casca grossa e acinzentada que às vezes vibrava. À noite veio a revelação: eclodiram. Fortes, rápidos e alados. Centenas de dentes ávidos por carne humana.

Rodada 8 · Ano

Nada é Verdade, Tudo é Mentira

Anos viram décadas, décadas tornam-se séculos, que deságuam em milênios. Tudo muda, menos eles. Os senhores do mundo, eternos no poder, vestem mentiras com a máscara da verdade. Falam em democracia, direitos, liberdade… enquanto forjam correntes invisíveis.

Rodada 8 · Ano

O Pesar do Pecado

A nave Spes singrava a constelação de Scutum em uma missão nobre, tripulada pelos melhores astronautas. Após três anos à velocidade da luz, alcançaram o destino, um novo mundo, batizado de Neo Terra. Ao vislumbrarem o azul do planeta, as lembranças da Terra ecoaram em seus corações.

Rodada 8 · Ano

O Demônio do Tempo

O altar erguia-se profano, círculos e pentagramas traçados com sangue de virgens. O perfume das velas misturava-se ao odor ferroso no ar. Mascarados poderosos cercavam o rito. No centro, o grão-sacerdote entoava cânticos antigos, abafando os choros que ecoavam na escuridão.

Rodada 9 · Toa

A Caverna

À deriva, aceitaram o reboque do silencioso pesqueiro. Horas depois, a ilha apareceu no horizonte. A caverna, enorme e disforme, parecia uma boca à espera. O cheiro de podridão invadiu o convés. O capitão sorriu pela primeira vez, e soltou o cabo.

Rodada 10 · Umbigo

A Ligação

O cordão umbilical é cortado, mas o vínculo jamais. Ela chorava antes de qualquer um, tristeza e orgulho misturados. Seus sete filhos, heróis, deram a vida pela Terra. A guerra terminou com o sacrifício final da caçula: a nave explodiu, levando consigo a Rainha dos Conquistadores.

Rodada 10 · Umbigo

Guardiões

Rastreador, GPS? Não. Era mais forte. Mesmo com o cordão cortado, nada impedia a ligação entre mãe e filho. Encontraram a casa do sequestrador. Por ele, dariam a própria vida. O pai entrou pela frente. Lutaram. A lâmina da mãe veio por trás, justiça feita. O criminoso tombou.

Rodada 10 · Umbigo

O Parasita

Tudo começou de repente. Sarah sentia-se cansada, apática, deprimida. Exames, médicos, psicólogos, nada explicava. No consultório, uma garotinha se aproximou, apontou para sua barriga e sussurrou, receosa:
— Tem uma sombra ligada a ela.

Rodada 11 · Moeda

A Moeda

Cara ou coroa. Libra. Yin e Yang. Bem e mal. Dualidade. Equilíbrio.
Duas forças o governavam, em perfeita harmonia. Algoz e juiz.
Ela veio das estrelas, forjada em metal desconhecido. Ao lançá-la, a verdade surgia em sua mente. Então ele decidia: salvar… ou punir.

Rodada 11 · Moeda

Cara ou Coroa

Cercado por cavaleiros, era vida ou morte. Astuto, o bardo sempre guardava um truque. Uma moeda de ouro surgiu entre seus dedos.
— Coroa, revelo o tesouro. Cara… eu desapareço.
— Jogue!
Ele lançou, apanhou no ar e sorriu.
— Deu cara.
E desapareceu como fumaça ao vento.

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante o 11º Campeonato de Microcontos.

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