Rodada 3 · Bolso
O bolso tinha um rasgo. Não o rasgo de sair moeda, que isso até dava graça — era o rasgo de não ter mais fundo. Rasgou de tanto guardar silêncio. Pois ninguém dizia nada lá dentro. Nem um elogio, nem um “bom-dia”. Moeda calada vira pó. O bolso, coitado, morreu de solidão. Agora é só fundo falso.
Rodada 9 · Toa
O Barbante
Sempre o mesmo nó. No dedo, na gaveta, embrulhando o pão. Minha avó dizia: “pra não esquecer”. Esqueci o quê. O barbante amarelo está aqui, no bolso. Aperta a carne do dedo. Lembro que era importante. Só isso. O importante é não lembrar.
Rodada 10 · Umbigo
Senta na beira da cama, põe a mão na barriga. O umbigo é a única coisa que ainda conecta ela à mulher que partiu. Não sai. Não esfria. Não esquece.