Rodada 3 · Bolso
Hoje, relações vêm com etiqueta: preço no bolso. Vazio repele; cheio seduz. Teve um “naro” que virou mito, depois manchete policial. Bolso fura — sempre. E quem ama cifrão acaba no chão… ou direto na boca de lobo, onde o valor escorre para o esgoto.
Rodada 6 · Cobre
Foi por um fio de cobre que o curto não incendiou meu amor. Nunca soube cobrar juros do afeto. E quando me cobram fatura emocional, desligo o disjuntor. Paixão não é boleto — quem vive de cobrança acaba sem corrente. ⚡️
Rodada 6 · Cobre
Nosso amor quase queimou por um fio de cobre desencapado. Nunca fui de cobrar; sentimento não tem maquininha. Mas quando começaram a calcular carinho em parcelas, cortei a corrente. Amor tarifado dá choque — e eu prefiro luz a curto-circuito. ⚡
Rodada 11 · Moeda
Ele saiu da fábrica com as mãos sujas de graxa e promessas.
Vestiu terno.
O brilho metálico passou a pesar mais que as palavras.
Quando percebeu, já não falava por vozes — contava cifras.
Os sonhos ficaram no chão, junto ao macacão.
Rodada 11 · Moeda
O tambor nasceu no alto do morro, onde empurraram os esquecidos.
Era reza, era chão, era resistência.
Mas o brilho redondo que move o mundo também move palcos.
No espetáculo global, trocaram o sagrado da batucada pela devoção a um homem.
E o samba silenciou.
Rodada 11 · Moeda
Do alto do morro desceu o ritmo que ensinou o país a sorrir na dor.
Virou desfile, virou tela, virou vitrine.
Entre luzes e cifras, alguém vestiu aura de divindade.
O tambor, que era memória, virou aplauso calculado.